terça-feira, 12 de julho de 2016

O MOÇO LOIRO

Joaquim Manoel de Macedo - Livros resumidos
                                         "O MOÇO LOIRO"

            O moço loiro é mais uma das obras tipicamente românticas de Joaquim Manoel de Macedo, o mais popular escritor de sua época. Há uma leve crítica à sociedade da época, em especial na figura da viúva Lucrécia, mas nada de muito profundo.
            Uma cruz de ouro é roubada da família Mendonça. A culpa cai no jovem Lauro, um dos Mendonças, que abandona a família e desaparece.
            Tempos depois, Honorina, prima de Lauro, começa a ser cortejada por bilhetes de um admirador que, misteriosamente, está em todos os lugares e sabe de tudo, utilizando os mais incríveis disfarces - é o moço loiro do título.
            Ele acaba salvando o pai da moça da ruína financeira, causada por um empregado desonesto - que era o verdadeiro ladrão da cruz de ouro. Ele então se revela: é Lauro. Ele e Honorina finalmente ficam juntos e têm o seu final feliz, deixando triste Raquel, amiga de Honorina, que também amava secretamente o rapaz.
            O moço loiro, romance urbano, foi lançado em 1845, ano em que Joaquim Manuel de Macedo aceitaria o cargo de professor no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde passaria a ter contato direto com poetas como Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães, os quais o aproximariam de questões sociais que o fariam ingressar, posteriormente, na vida política.
            O livro mostra um enredo claro e bem construído, e realiza uma reportagem de época ainda útil para estudiosos e curiosos do imaginário da elite carioca do século XIX.
            O livro é um sensível retrato da sociedade burguesa da antiga capital federal, no século XIX, criticada discretamente pelo autor, que faz do romance um discurso sobre o amor idealizado e, portanto, livre do contato com a realidade, representado nas figuras de Honorina e do herói que dá nome ao livro. Daí segue toda a trama, que, mesmo sendo um retrato social, não se aprofunda em questões políticas ou psicológicas. Apesar dos conflitos existenciais, seus personagens são superficiais, pouco complexos, restringindo-se a pequenos dilemas éticos, com exceção talvez da viúva Lucrécia, metáfora da hipocrisia social de seu tempo. As reflexões encontradas na narrativa são ingênuas, expostas em linguagem simples e, por vezes, demasiadamente explicativas.
            A sentimentalidade, típica dos escritores românticos de sua época, é bastante exacerbada, passando a ser força motora sobre a razão, fazendo com que os personagens se mostrem propensos a viver fora do tempo, sempre fugindo do real em devaneios intermináveis.
Assim, a intriga se desenrola em tom de encantamento, numa tênue linha entre realidade e puro delírio.
Sua leitura se faz valiosa até hoje, tanto por seu tema atemporal - o amor adolescente, as dúvidas e os conflitos interiores que simbolizam tanto esta fase da vida, o sonho do primeiro e verdadeiro amor - quanto pela revelação de alguns aspectos de um Rio antigo, com saraus, pequenas embarcações de transporte com remadores e mansões localizadas no bairro da Glória, frente ao mar.
Enredo Uma cruz de ouro, relíquia de família desde o século XIII, é roubada aos Mendonças, recaindo a culpa sobre um deles, o jovem Lauro, que abandona os seus e desaparece, amaldiçoado pela avó. Sua prima Honorina, anos depois, é cortejada misteriosamente, através de bilhetes, por um desconhecido - que assume os mais estranhos disfarces, intervém, nos mais vários acontecimentos, está em toda parte, sabe tudo, como convém aos heróis folhetinescos.
Ele é o Moço Loiro, que acaba por salvar o pai da moça da ruína (a que o ia levando o empregado infiel, o verdadeiro ladrão da jóia), além de punir os maus, amparar os bons etc.
No final, o óbvio fica evidente: ele é Lauro e casa com a priminha, deixando em conformada melancolia a maior amiga desta, Raquel, que, para variar, também o amava em segredo.
VEJA:  O Moço Loiro é um romance de autoria do escritor brasileiro do romantismo Joaquim Manuel de Macedo. O livro foi publicado em 1845.
O livro é um retrato da sociedade burguesa do Rio de Janeiro no século XIX, que discretamente o autor crítica. O romance é um discurso sobre o amor idealizado, representado nas figuras de Honorina e do herói que dá nome ao livro, o moço loiro, cuja identidade só vem a ser desvendada no final.
O Moço Loiro foi um dos primeiros romances brasileiros. A história tem como tema central o furto da cruz da família de Honorina. Por diversas circunstâncias, seu primo Lauro foi considerado culpado e expulso de casa. Sete anos depois, um estranho, conhecido apenas pela alcunha de "Moço Loiro" aparece e começa a cercar Honorina sob diversos disfarces, dizendo que a amava. Ele cria uma atmosfera de mistério tal que acaba por fazer Honorina se interessar cada vez mais por ele, até acabar se apaixonando. Por ser muito bela, Honorina despertou a paixão não somente no Moço Loiro, mas em vários outros rapazes, e, conseqüentemente, tornou-se alvo da inveja das outras moças da sociedade que freqüentava. Tendo rejeitado todos os seus pretendentes, uma vez que já amava o Moço Loiro, ela e sua família acabam sofrendo com um plano elaborado por um deles, o mais fervoroso, e o mais rechaçado por ela. Felizmente, ela tem um anjo protetor zelando por seu destino. Joaquim Manoel de Macedo tem uma linguagem rebuscada, mas não a ponto de deixar a leitura difícil. Algo que me chamou a atenção é a sua capacidade de retratar a sociedade brasileira daquela época, chegando até mesmo a denunciar com ironia e comicidade, em alguns casos, a falsidade que reinava entre as pessoas.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Vestibular 2016.2



  Livros:      VESTIBULAR    UVA  2016.2

                               
                                 Olhai os Lírios do Campo  - Érico Veríssimo
                  Dona  Guidinha do Poço – Manuel Oliveira Paiva
                  O Grande Mentecapto – Fernando Sabino
                 A Bagaceira – José Américo de Almeida
                 O Moço Loiro   - Joaquim Manuel de Macedo

A Bagaceira



A Bagaceira, de José Américo de Almeida

Análise da obra
A bagaceira, publicada em 1928, é a obra introdutora do romance regionalista no país. A colisão dos meios pronunciava-se no contato das migrações periódicas. Os sertanejos eram mal-vistos nos brejos. E o nome de brejeiro cruelmente pejorativo.
O enredo do romance trata das questões do êxodo, os horrores gerados pela seca, além da visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia. A Bagaceira tem intenção crítica social, descambando, às vezes, para o panfletário, para o enfático e demagógico. Para o autor, o romance procura confrontar, em termos de relações humanas e de contrastes sociais, o homem do sertão e o homem do brejo (dos engenhos). Aproximando o sertanejo do brejeiro, na paisagem nordestina, José Américo de Almeida condiciona os elementos dramáticos aos ciclos periódicos da seca, os quais delimitam a própria existência do sertanejo.

Sob iluminação diferente, são postos em confronto, em A Bagaceira, os nordestinos do brejo e os do sertão. Brejeiros e sertanejos, submissão e liberdade, eram examinados com uma visão realista, se bem que, no registro das virtudes sertanejas possa notar-se, vez por outra, certo favorecimento (não intencional).
O título desse romance denomina o local em que se juntam, no engenho, os bagaços da cana. Figuradamente, pode indicar um objeto sem importância, ou ainda, "gente miserável". Todos esses significados se podem mobilizar no entendimento de A Bagaceira, romance de ardor e violência, desavenças familiares, flagelações da seca.
O autor que, antes, estreara vitoriosamente no ensaio, deixa transparecer aprofundado conhecimento do ambiente e do homem paraibano, anotando pormenores, acentuando os traços mais definidores, integrado na paisagem e na estrutura social cheia de injustiças.

O tempo é entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca. Tangidos pelo sol implacável, Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona do sertão. Vão para as regiões dos engenhos, no rejo, onde encontram acolhida no engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio. Passando as férias no engenho, Lúcio conhece Soledade por quem se apaixona. Lúcio retorna à academia e quando retorna em férias para a companhia do pai, toma conhecimento de que Valentim Pereira se encontra preso por ter assassinado o feitor Manuel Broca, suposto sedutor e amante de Soledade. Lúcio, já advogado, resolve defender Valentim e informa o pai de sua intenção de casar-se com Soledade. Dagoberto não aceita a decisão do filho. E então tudo é esclarecido: Soledade é prima de Lúcio, e Dagoberto foi quem realmente a seduziu. Pirunga, tomando conhecimento dos fatos, comunica ao padrinho (Valentim) e este lhe pede, sob juramento, velar pelo senhor do engenho (Dagoberto), até que ele possa executar o seu "dever": matar o verdadeiro sedutor de sua filha. Em seguida, Soledade e Dagoberto, acompanhados por Pirunga, deixam o engenho e se dirigem para a fazenda do Bondó. Cavalgando pelos tabuleiros da fazenda, Pirunga provoca a morte do senhor do engenho Marzagão, herdado por Lúcio, com a morte do pai. Em 1915, por outro período de seca, Soledade, já com a beleza destruída pelo tempo, vai ao encontro de Lúcio, para lhe entregar o filho, fruto do seu amor com Dagoberto.

O relato abre o ciclo do romance de 1930, entre outras razões por sua força de denúncia dos horrores gerados pela seca.
É digno de nota o prefácio que vale tanto ou mais do que próprio texto narrativo. Destaque para o espanto do escritor face às mazelas: "Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto: é não ter o que comer na terra de Canaã."
Na narrativa há um choque de três visões que correspondem a três processos sócio-culturais distintos:
1) Visão rústica dos sertanejos, com seu sentido ético arcaico.
2) Visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia.
3) Visão civilizada (moderna, urbana) de Lúcio, traduzindo um novo comportamento de fundo burguês e que logo seria autorizado pela Revolução de 30.
É digno de nota o projeto modernizador do personagem Lúcio ao assumir o comando do engenho: alfabetização dos filhos dos trabalhadores, melhores condições de habitação, etc. Ou seja, aquilo que Getúlio Vargas proporia nos anos seguintes como alternativa para o país.
O livro apresenta uma mistura de linguagem tradicional - dominada por um tom desagradavelmente sentencioso - com um gosto modernista por elipses e imagens soltas, e ainda pelo uso de algumas expressões coloquiais ou regionais. Na obra a linguagem do narrador faz esforço para não se afastar em demasia da dos personagens, dialetal, folclórica.
Fora sua notável importância histórica, A bagaceira é um romance frustrado por causa do excesso de análise sociológica. É como se a ânsia do autor em tudo explicar, destruísse todo e qualquer efeito sugestivo da narrativa. 
Personagens centrais
Dagoberto Marçau - Proprietário do engenho Marzagão, simboliza a prepotência,  contrapondo-se à fraqueza dos trabalhadores da bagaceira. Considera-se "dono " da justiça e seu código é simples: "O que está na terra é da terra". Se ele é o senhor da terra, tudo que nela dá é da terra (ou seja, dele próprio). "Se ele é o senhor da terra, tudo que nela se encontra lhe pertence, até os próprios homens que trabalham no engenho. Assim pensa e assim age. Seduz  Soledade, vendo  na sertaneja semelhança com sua ex-mulher.

Lúcio - Humano, idealista, sonhador, apaixona-se por Soledade, com quem mantém um romance puro. Não compartilha as idéias de seu pai, Dagoberto Marçau, para quem "hoje em dia não se guarda mais na cabeça: só se deve guardar nas algibeiras. "Acreditava que  se podia desmontar a estrutura anacrônica do engenho: "Quanta energia mal empregada na desorientação dos processos agrícolas! 
A falta de método acarretava uma precariedade responsável pelos apertos da população misérrima. A gleba inesgotável era aviltada  por essa prostração  econômica. A mediania do senhor rural e a ralé faminta".
Soledade - Filha de Valentim Pereira, representa a beleza agreste do sertão. Aos olhos de Lúcio, a sertaneja. "não correspondia pela harmonia dos caracteres às exigências do seu  sentimento do tipo humano. Mas, não sabia por que, achava-lhe um sainete novo na feminilidade indefinível. As linhas físicas não seriam tão puras. Mas o todo picante tinha o sabor esquisito que se requintava em certa desproporção dos contornos e, notadamente, no centro petulante dos olhos originais."... "Era o tipo modelar de uma raça selecionada , sem mescla, na mais sadia consangüinidade."
A presença da sertaneja no engenho colocará uma barreira ainda maior entre Dagoberto e Lúcio. Por  Soledade Valentim se torna assassino e Pirunga causa a morte do senhor de engenho.
Valentim Pereira - Representa o sertão: destemido, arrojado e altivo. Como bom sertanejo pune pela honra de uma mulher, mata o feitor Manuel Broca, apontado como sedutor de sua filha. Mas a  "idéia fixa da honra sertaneja" vai além: a cicatriz que lhe marcava o rosto era resultado de uma briga mortal com um amigo, que desonrara uma  moça, neta de um "velhinho", de quem o tempo quebrara as forças. O diálogo entre Valentim e Brandão de Batalaia (assim se chamava o "velhinho")  é bem ilustrativo: "Que é que vossamecê manda? Ele respondeu que só queria era morrer. Eu ajuntei: E por  que não quer matar?..."
Pirunga - Filho de criação de Valentim Pereira, a quem tributa lealdade. Ama Soledade, mas seu amor não encontra receptividade. Assim como Valentim, simboliza o sertão: valente, intrépido, altivo... Por ocasião da festa no rancho, vai em defesa de Latomia: enfrentando a polícia.
                                                                Site: www.passeiweb.com/estudos/livros/a_bagaceira

O marco inicial da segunda fase do Modernismo brasileiro é considerado o lançamento do romance A bagaceira, de José Américo de Almeida, em 1928. Inaugura o ciclo do “romance nordestino” dos anos 30.
O enredo baseia-se no êxodo da seca de 1898, descrito como "(...) Uma ressurreição de cemitérios antigos - esqueletos redivivos, com o aspecto e o fedor das covas podres.(...)".   

Obra-prima do romance regionalista moderno, hoje com trinta e duas edições em língua portuguesa, edição crítica e versões em espanhol, francês, inglês e esperanto. Sua obra, com dezessete títulos, abriga ainda ensaios, oratória, crônica, memórias e poesia.

A Bagaceira foi o livro com o qual José Américo, político de grande influência na Paraíba, destacou-se na literatura. Retrata o nosso nordeste e a dificuldade dos habitantes em lidar com a seca.

José Américo foi um dos responsáveis pela criação do novo romance regionalista brasileiro, com o seu A bagaceira. Contudo, sua carreira de escritor acabou ficando em segundo plano devido à sua forte atuação na política.

Nasceu em 1887 no município de Areia, na Paraíba, filho de uma família de forte influência política na região. Estudou direito em Recife, formando-se em 1908; foi promotor-geral e consultor-geral do estado da Paraíba. Publicou seu primeiro livro em 1921, projetando-se como escritor com A bagaceira, em 1928.

Participou da gestão de João Pessoa no governo da Paraíba, apoiando a candidatura de Getúlio Vargas à presidência - João Pessoa era o vice na chapa. Participou do movimento revolucionário que pôs Getúlio no poder, depondo Washington Luís e impedindo a posse do eleito Júlio Prestes; tal movimento foi acelerado pelo assassinato de João Pessoa. Foi nomeado por Vargas governador da Paraíba e, depois, ministro da Viação e Obras Públicas. Mais tarde, elegeu-se senador pela Paraíba.

Colocou-se como candidato da situação à sucessão de Vargas, sendo frustrado pelo golpe que cancelou as eleições e fechou o Congresso, o que o levou a afastar-se de Vargas, chegando mesmo a fazer-lhe oposição. Reconciliou-se mais tarde com Vargas, participando de seu segundo governo. Após seu suicídio, deixou o ministério que ocupava e voltou para o governo da Paraíba, abandonando os cargos públicos ao fim do mandato. Manteve, porém, a influência na região por muitos anos, apoiando inclusive o golpe militar de 1964. Em 1967, entrou para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em João Pessoa em 1980.

                         Site: maicongoncalves.xpg.uol.com.br/literatura/joseamerico-abagaceira-resumo.htm


ALMEIDA, José Américo de. A Bagaceira. São Paulo edição Integral. Círculo do Livro S/A 1980.p.224. O romance, “A Bagaceira”, é um romance ficcional e essa afirmação deve-se ao fato de ser uma história inventada pelo autor baseada em fatos reais, sabe-se que não é algo acontecido, mas, há a coerência interna que dá credibilidade à narrativa, é também narrado em 3ª pessoa porque o autor se situa fora dos acontecimentos e têm-se como personagens centrais Dagoberto Marçau, Lúcio, Soledade, Pirunga e Valentin.
               O romance se passa entre 1898 e 1915 e a intencionalidade do autor, desta trágica história de amor, serve puramente como pretexto para denunciar a questão social no Nordeste. Eram postos em confronto em A Bagaceira, os nordestinos do brejo e os do sertão. Brejeiros e Sertanejos submissão e liberdade são examinadas com uma visão realista, se bem que, no registro das virtudes sertanejas, possa notar-se, vez por outra, certo favorecimento do autor aos sertanejos do sertão.
               “O autor antes estreara vitoriosamente no ensaio, deixando transparecer aprofundado conhecimento do ambiente e do homem paraibano, anotando pormenores, acentuando os traços mais definidores, integrado na paisagem e na estrutura social cheia de injustiça”, (Ivan Cavalcanti Proença).
O título desse romance denomina o local que se juntam, no engenho, os bagaços da cana. Figuradamente, pode indicar um objeto sem importância, ou ainda, gente miserável.
                Dois são os planos básicos do romance: por um lado, temos a denúncia da questão social do nordeste e a análise da vida dos retirantes que chegam de tempos em tempos e não são bem vistos pelos trabalhadores permanentes dos engenhos (os brejeiros); por outro lado, o amor de Soledade e Lúcio, que tem um desfecho dramático, o qual se inicia quando o pai de Lúcio, Dagoberto, violenta Soledade e faz dela sua amante.
              Devido ao sol implacável, Valentin Pereira, sua filha Soledade e o filho adotivo Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona de sertão. Encaminham-se para as regiões dos engenhos, no rejo, onde encontram acolhida no Engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio, este sendo mandado para a cidade para estudar direito. Passando as férias no engenho, conhece Soledade, e brota um forte afeto, mas o rapaz hesita em dar plena seqüência ao flerte por não ter convicção de que seria capaz de amá-la no contexto urbano e intelectualizado, no qual ele vivia. Retorna para a academia e quando volta, em férias, à companhia do pai, toma conhecimento de que Valentim Pereira se encontra preso por ter assassinado o feitor da fazenda Manuel Broca, suposto sedutor de Soledade. Lúcio, já advogado, resolve defender Valentim e informa o pai do seu propósito: casar-se com Soledade. Dagoberto não aceita a decisão do filho e não vê outra saída se não contar a verdade para o filho, que tinha sido o autor da desonra de Soledade. Pirunga, tomando conhecimento dos fatos, comunica a Valentin e este lhe pede, sob juramento, velar pelo senhor do engenho, até que ele possa executar o seu dever, matar o verdadeiro sedutor de sua filha. Em seguida, Soledade e Dagoberto, acompanhados por Pirunga, deixam o engenho e se dirigem para a fazenda do Bondó. Cavalgando pelos tabuleiros da fazenda, Pirunga provoca a morte do senhor de engenho. Marzagão é herdado por Lúcio, com a morte do pai.
                 Em 1915, por outro período da seca, Soledade já com a beleza destruída pelo tempo, vai ao encontro de Lúcio para lhe entregar o filho dela com seu pai, ou seja, o irmão de Lúcio.
                Segundo Afrânio Coutinho, o livro de José Américo de Almeida surge no momento em que a República Velha, apoiada nos tradicionais setores dos proprietários de terras, entrava em crise e era associada pelo entusiasmo corajoso, mas desnorteado de jovens políticos e oficiais, afirma ainda mais, que o livro refletia e atacava o velho sistema da concentração latifundiária no Nordeste, que lhe aparecia como uma das vigas da miséria da região. Este grito de insubmissão contra o decrépito, o tom direto com que passava a ser expressa, a luta do carcomido contra a mocidade e ao elemento sentimental do enredo devem ter exercido um papel relevante na euforia com que foi recebido.
                  Na visão de Alfredo Bosi, A Bagaceira tem intenção crítica social, descambando às vezes para o panfletário, para o enfático e demagógico. Para o autor, o romance procura confrontar, em termos do sertão e o homem do brejo (dos engenhos). Aproximando o sertanejo do brejeiro, na paisagem nordestina, José Américo de Almeida condiciona os elementos dramáticos aos ciclos periódicos da seca, os quais delimitam a própria existência do sertanejo, e afirma ainda que passou a marco da literatura social nordestina. Crendo que se dava não tanto aos seus méritos intrínsecos quanto por ter definido uma direção normal (realista) e um veio temático.
                 Ora, se o romance é uma mentira disfarçada para mostrar a miséria e injustiça do povo do nordeste, que mal há? O importante é saber que em 1928 o autor já tinha uma visão futurista, pois, a questão continua existindo até os dias de hoje. Há a fome, a migração, os senhores do engenho que continuam lá, que não deixam de ser os políticos, com seus discursos falaciosos iludindo aquele povo de que solucionarão o problema da seca, sendo que na realidade, seca se resume nos corações das pessoas que não se importam com a miséria humana, não só dos sertanejos, mas de todos que se esgueiram da fome. José Américo, em momento algum, descreve no romance uma ceia, com uma mesa farta, até na mesa do senhor do engenho não aparece fartura, é nas personagens que o autor deixa bem explícito o propósito do romance, se é que tinha um.
                Dagoberto Marçau é o símbolo da prepotência, é o dono da terra, e tudo o que lá esta, a ele pertence, representa aquele que é contra a reforma agrária; Lúcio já é mais humano, idealista, sonhador, quando herda o engenho, devido à morte de seu pai, ele dá inicio à modernização da propriedade que fora do pai, tanto em termos produtivos quanto em termos sociais. E Soledade, quantas Soledades existem ainda? Muitas. No nordeste o que mais tem são Soledades,
                      As Soledades são as filhas dos empregados dessas fazendas, que se iludem com o moço que vai para o centro urbano estudar e passam as férias na fazenda de seus pais ricos e brincam com os sentimentos delas ou elas, às vezes, deixam-se brincar pelos próprios sentimentos, resultando numa gravidez inesperada e não havendo outra saída se não ir desembarcar na rodoviária do Glicério, em São Paulo, para fugir da vergonha causada a seus familiares. A personagem Soledade, presente no engenho coloca uma barreira entre pai e filho, porque Soledade representa a beleza agreste do sertão. Valentin representa o sertão: destemido, arrojado e altivo. Como sertanejo, pune pela honra de uma mulher, ele pune em honra de sua filha e, Pirunga assim como Valentim também simboliza o sertão: valente, intrépido, altivo. Por ocasião de uma festa no rancho, vai a defesa de Latomia, um dos retirantes, enfrentando a policia, “O sertanejo fazia frente a toda tropa na confusão do conflito corpo a corpo. Seu olhar fuzilava na treva como um sabre desembainhado”.
                  Ainda com relação às personagens em uma análise mais técnica, Dagoberto e Soledade se enquadram na categoria das personagens de natureza, por que além dos traços superficiais, seus modos íntimos de serem impede que tenham a regularidade dos outros e Lucio, Valentin e Pirunga já são mais planas, pois o autor as construiu em torno de uma qualidade.
                De acordo com o professor Joel Pontes, UFP, já falecido, em crítica publicada no livro Pequeno Dicionário da Literatura Brasileira, organizado pelos Professores Massaud Moisés e José Paulo Paes, o romance foi a base para a consolidação da obra de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Raquel de Queirós, pois, personagens como Dagoberto, Pirunga e Soledade retomam mais bem caracterizados nas obras dos escritores posteriores. Mas ele deixa claro que, tecnicamente, o romance não inova a prosa nordestina, pois ainda é um romance de tese e cita um capítulo que possa provar, que é “O Julgamento”, típico dos romances do século XIX e também presente em os “Sertões”, de Euclides da Cunha.
             Portanto, o destaque do romance fica por conta do lastro sociológico e da poeticidade de cenas e sentimentos. Outro destaque também é a narrativa do romance. Como o narrador se situa fora dos acontecimentos, é um observador onisciente, apresentando um trabalho de linguagem muito rico, ele utiliza-se de uma linguagem de acordo com a norma culta da língua portuguesa, talvez pelo fato do autor ter estudado direito. As falas das personagens reproduzem o falar sertanejo, a dicotomia entre a linguagem refinada do narrador e a brutalidade da linguagem das personagens cria uma tensão lingüística que é um dos aspectos mais salientes e importantes do romance.
               Guimarães Rosa afirmou que José Américo “abriu para todos os caminhos do moderno romance brasileiro”. De uma maneira contundente está presente no romance à miséria do sertão; a brutalidade do ser humano nordestino; as relações entre os senhores do engenho e os seus empregados, e isso, talvez pelo fato do autor ter exercido vários cargos políticos e nascido na região, onde se passa o desfecho do enredo do romance. Há uma ânsia em querer denunciar os flagelos que a seca causou àquela gente e percebe-se uma vontade enorme dos retirantes voltar ao sertão, o que não deixa de ser à vontade do próprio autor voltar a sua origem.
O romance se abre com um prefácio manifesto intitulado “Antes que me falem”, em que o autor expõe alguns dos princípios básicos que haveriam de nortear, não apenas a composição da sua obra, mas também o regionalismo de 30.
               “O regionalismo é o pé-de-fogo da literatura... Mas a dor é universal, porque é uma expressão da humanidade. E nossa ficção incipiente não pode competir com os temas cultivados por uma inteligência mais requintada: só interessará por suas revelações, pela originalidade de seus aspectos despercebidos”.
                  Site:http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/2412067

terça-feira, 22 de março de 2016

NELSON MANDELA

              Na terra esquecida pela civilização, esquecida pelos poderosos, mas lembrada pelo amor e pela fraternidade. Foi nessa terra que nasci e cresci. Não bastasse a pobreza e a desgraça, perdi meus pais e fui levado para outro lugar, para outros costumes, para estudar.
              Após isso, tentei ser alguém, estudando e formando-me, mas o racismo foi maior e expulsou-me, fui para longe tentar novamente, pensei que seria diferente, mas não, o racismo já havia chegado antes de mim e reinava sobre mim e os de minha raça, porém isso não me impediu de me formar e prometi a mim mesmo que um dia iria mudar isso.
               Continuei a lutar pelo meu propósito, mas fui preso por falar a verdade, por tentar mudar a realidade em que vivíamos. Estava preso, sem saída e não sabia quando sairia dali, no entanto continuei com minhas esperanças.
               Até que lutaram por mim e conseguiram libertar-me, aquilo que tanto me rejeitava acabou, mas o racismo sempre continuou. Fui liberto e ganhei até prêmio por lutar e nunca perder as esperanças.
            Enfim consegui, candidatei-me a presidente e fui eleito,saí vitorioso e aclamado pelo meu povo, consegui mudar meu país, mas ainda como tudo tive que partir. Fui embora da vida, mas permaneci na história.

                         Equipe: José Mariano, José Nilson, Marcio Silva, Matheus jardim
                      

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O GRANDE MENTECAPTO

[Fernando Sabino]

Fernando Sabino é autor contemporâneo dos mais importantes. Dono de um estilo inconfundível em que ressalta o extremo cuidado com a linguagem, é um especialista em criar situações cômicas de profunda beleza plástica. Sua capacidade descritiva faz com que o leitor, além de se deleitar com a complicação da trama, consiga visualizar a cena criada pelo narrado. Sua obra é extensa e inclui principalmente crônicas e contos. Seus romances — O Encontro Marcado; O Menino no Espelho; O Grande Mentecapto — são fruto de profunda preparação e artesanato impecável. Por isso mesmo cresce a cada dia a importância de sua obra no panorama da atual Literatura Brasileira. 

Nesse romance de 1979, o Autor elabora uma trama com a nítida intenção de homenagear as pessoas humildes, simples e puras. Já na epígrafe da narrativa, 'Todo aquele, pois, que se fizer pequeno como este menino, este será o maior no reino dos céus.'. nota-se a vontade de elevar os puros, os inocentes e os ingênuos. 

Na linha da novela picaresca — vide o Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes —, em que o personagem desloca-se por um espaço indefinido, à cata dos conflitos, para resolvê-los heroicamente, Viramundo vive uma sequência de peripécias acontecidas no Estado de Minas Gerais, contracenando com personagens dos mais variados matizes e comportando-se sempre como o bem-intencionado, o puro, o ingênuo submetido às artimanhas e maldades de um mundo que ainda não está de todo resolvido. Andarilho, louco, despossuído, vagabundo, idealista. Marginal em uma sociedade que não entende e em que não se enquadra, o Viramundo instaura um sentimento de ternura e de pena por todos aqueles que, em sua simplicidade, sofrem o descaso, a ironia, a opressão e a prepotência. 

Como o Quixote, com a sua amada Dulcinéia, e como Dirceu, com a sua adorada Marília, Viramundo põe em suas ações tresvariadas a esperança de realizar-se emocionalmente com a sua idealizada e inalcançável Marília, filha do governador de Minas Gerais. Sua ilusão alucinada é reforçada pelos pseudo-amigos que o enganam com falsas cartas de amor e incentivam sua loucura mansa e seu sonho impossível. 

Viramundo conhece que o mundo é uma grande metáfora e o trata com idealismo como se ele fosse real. Consertar o mundo é sua missão e ele se dedica a ela com toda a força de sua decisão, não se deixando abalar pelo insucesso, pelo ridículo, pela violência ou pelo vitupério. Em seu delírio, o irreal e o real andam de mãos dadas, não há a separação entre o concreto e o abstrato, e por isso o herói não se abala física ou emocionalmente com nada com que se defronte: não teme os fortes, os violentos; não se assusta com fantasmas e nem com ameaças; aceita resignadamente o que a vida lhe reserva. 

Percebe-se aqui que, além de pícaro, nosso herói pode ser considerado como bufão, pois jacta-se tolamente sobre supostas capacidades de resolver as injustiças e o desacerto do mundo. Não tem qualquer ligação definitiva com a vida; não assume compromissos; é desprezado e usado por aqueles com os quais se relaciona. 

A pureza deste aventureiro é a crítica à hipocrisia das relações humanas em um mundo que perdeu o sentido da solidariedade e da fraternidade. Sua alegria ingênua e desinteressada opõe-se ao jogo bruto dos interesses malferidos, ao conservadorismo e à arrogância. Porta-voz dos loucos, dos mendigos, das prostitutas, o Viramundo conhece os meandros da enganação e da falsidade dos políticos e dos poderosos. 

A crítica à mesmice, ao chavão e ao clichê faz-se pela presença da paródia a muitos autores e personagens historicamente conhecidos. 

Viramundo não era conhecido, mas termina por criar fama em razão dos casos incríveis em que se envolve. Sob a aparência imunda de um mendigo está um sujeito com cultura geral incomum. Sua fala de homem conhecedor surpreende e sua experiência de ex-seminarista e ex-militar confunde e admira aqueles com quem convive. Sua esquisitice e suas respostas prontas a todas as indagações fazem com se acredite tratar-se de um louco manso e inofensivo. 

Outro aspecto interessante é a exploração da temática da loucura. O Autor parece convidar o leitor a uma reflexão sobre a origem e o convívio com a ideia da excentricidade do comportamento humano. Viramundo pode ser considerado um louco, mas quem não o é? O que a sociedade considera loucura? Como classificar e tratar os indivíduos que atuam em dissonância com aquilo que se considera normalidade? A sociedade mostrada no romance está povoada de tipos que comumente chamamos de loucos: os habitantes de Mariana agem desvairadamente ao tentar linchar Dª. Peidolina; o diretor do hospício é mais estranho que os próprios internos do manicômio; o capitão Batatinhas é absolutamente alienado. Há no decorrer de toda a narrativa o questionamento da fragilidade dos limites entre a sanidade e a loucura. 

No limiar da consumação de sua caminhada, Viramundo mudou. No começo era idealista e cheio dos cometimentos da paixão. Manteve-se assim durante muito tempo até encarar a dura realidade da convivência humana. A série de acontecimentos em que figura como perdedor físico e emocionalmente faz com que se desiluda. Descobre que as cartas de amor eram falsas; os amigos eram falsos; sua crença era falsa. Por todo lado só encontra sofrimento, opressão, hipocrisia. Está só, absolutamente só, e a solidão é tudo que lhe resta. 

Seu fim é emblemático. Morre vitimado pelo próprio irmão. Paga por um crime que não cometeu. A intertextualidade bíblica é evidente: compara a trajetória e o comportamento de Viramundo com a Via-Sacra do Cristo, em todos os sentidos, inclusive no sacrifício final.


Tudo começa em Rio Acima onde nasce o protagonista dessa história. Filho de um portugues e uma italiana, tinha doze irmãos. Geraldo Boaventura que é seu nome verdadeiro, fez de tudo na sua infância. Era tão levado que não lhe escapava a um dia sem uma grande aventura.
A maior loucura de sua infância de que se sabe foi a sua proeza de parar o trem em Rio Acima, tal foi sua proeza que ele se tornou herói da molecada e ganhou seu primeiro beijo. Mas nem tudo foram rosas para nosso herói mirim, logo outro tentou refazer sua proeza, um menino a quem chamavam de Pingolinha, pequeno e travesso tentou fazer o trem parar. Mas não teve a mesma sorte, e acabou morrendo nos trilhos do trem.
Sabe-se que depois do velório do menino se abateu nos habitantes da cidade um sentimento de ódio, todos acabaram por culpar Viramundo e sua família, lhes fazendo ameaças. Mas para o bem de Viramundo não houve malefícios físicos a ele. O que aconteceu depois de todo o alarde for que ele se afastou socialmente das pessoas, vivia sozinho e infeliz a carregar sua culpa.
Um tempo mais tarde conheceu Padre Limeira, com quem acabou por dividir suas idéias tentando obter alguma ajuda. Por fim acabou indo com o padre para um seminário, onde cometeu sua primeira peripécia da vida adulta. Acabou em um dia por ter dormido dentro do confessionário, ao que Dona Peidolina como ironizada mente era conhecida, entrou no confessionário e começou a se confessar, e ele ouvindo o que ela falava, se indignou em sua ideologia, e repreendeu-a.
Logo ela descobriu que estava falando com Viramundo, e alarmou a todos o fato, fazendo com que ele fosse expulso do seminário. Nesse momento ele deveria voltar para Rio Acima, mas como bom vagabundo inicia sua jornada. Seu primeiro passo foi tentar acabar com a confusão gerada sobre as intimidades de Dona Peidolina.
Depois disso segui seu caminho, conheceu Dionísio com quem fez grande amizade. Também conheceu Marília por quem platonicamente se apaixonou. Até mesmo imaginou estar trocando cartas com ela, o que não passou de uma brincadeira de mau gosto de Dionísio e seus amigos estudantes. Seu amor por ela era tal que entrou de penetra em uma festa, e acabou com ela de um jeito não muito sutil, tanto que teve de partir.
Seguindo seu caminho encontro um tal de Herr Bosmann com quem teve um desentendimento por causa de uma rosa, e ao final conluiou-se com Barbeca, e destruíram os dois o roseiral do carrasco, sendo assim Barbeca foi preso e Viramundo mandado a um hospício, do qual fugiu com um plano engenhoso, e ainda, fazendo com que Herr Bosmann fosse dado como o louco da história.
Por essa mesma época colocaram-no como candidato político, e até mesmo fez um discurso no qual aclamado pelo publico ganhou, mas ao fim foi recolhido pela guarda e teve de servir ao exército. No exército fez muita amizade com o Capitão Batatinhas, falou com o cavalo Bunda Mole, aprontou das suas, desertou, pensou ser herói, e foi condecorado Comandante.
Continuando sua peregrinação chega a uma cidade onde faz amizade com pessoas de uma orquestra, os ajuda, e no fim os atrapalha deixando com que um gambá entre numa tuba e lá se instala. Sendo assim, com medo, ele os deixa para trás. Também um tempo depois faz amizade com um preso, e fica no seu lugar dele ao ser engabelado.
Ainda por fim, antes de cumprir seu destino, revê sua amada, pega um touro a mão, perde um amigo, o velho Elias. Conversa com uma mulher fantasma fajuta e conhece Maria Eudóxia, uma doceira de mão cheia.
No fim de toda a história, ele chega a Belo Horizonte onde por um tempo vive em uma pensão, vai para a sarjeta, é remanejado novamente para um hospício, foge novamente, Cria uma revolução juntando os loucos do hospício, os sem-teto, e prostitutas, reivindicando uma melhor a situação para todos. Mas que com facilidade foram dispersos, após Viramundo ter falado com o governador.
Ao fim de toda essa aventura, ele volta para Rio Acima a fim de recontinuar sua revolução, só que no fim da história é confundido, e acaba sendo morto pelo próprio irmão.

História do Autor
Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte a 12 de outubro de 1923 foi um escritor e jornalista brasileiro.
Fez o curso primário no Grupo Escolar Afonso Pena e o secundário noGinásio Mineiro. Durante a adolescência, foi locutor de programa de rádio e começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos em revistas da cidade, conquistando prêmios em concursos.
No início da década de 1940, começou a cursar a Faculdade de Direito e ingressou no jornalismo como redator da Folha de Minas. Seu primeiro livro de contos, Os grilos não cantam mais, foi publicado em 1941, no Rio de Janeiro. Tornou-se colaborador regular do jornal Correio da Manhã, onde conheceu Vinicius de Moraes, de quem se tornou amigo.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1944. Depois de se formar em Direito na Faculdade Federal do Rio de Janeiro em 1946, viajou com Vinicius de Moraes aos Estados Unidos da América, onde morou por dois anos em Nova Iorque.
O encontro marcado, uma de suas obras mais conhecidas, foi lançada em 1956, ganhando edições até no exterior, além de ser adaptada para o teatro. Sabino decidiu, então 1957, viver exclusivamente como escritor e jornalista. Iniciou uma produção diária de crônicas para o Jornal do Brasil, escrevendo mensalmente também para a revista Senhor.
Em 1960, Fernando Sabino publicou o livro O homem nu, pela Editora do Autor, fundada por ele, Rubem Braga e Walter Acosta. Publicou, em 1962, A mulher do vizinho, que recebeu o Prêmio Cinaglia do Pen Club do Brasil.
Em 1966, fez a cobertura da Copa do Mundo de Futebol para o Jornal do Brasil. Fundou, em 1967, em conjunto com Rubem Braga, a Editora Sabiá, onde publicou livros de Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Clarice Lispector, entre outros.
Publicou o romance O grande mentecapto em 1979, iniciado mais de trinta anos antes. A obra, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, e acabaria sendo adaptada para o cinema, com direção de Oswaldo Caldeira, em 1989, e também para o teatro. Em julho de 1999, recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra.
Faleceu em sua casa em Ipanema, zona sul no Rio de Janeiro, a 11 de outubro de 2004, vítima de câncer no fígado, às vésperas de seu 81º aniversário.